sexta-feira, 16 de março de 2012

Capítulo 15 – Please, please, please, Rose please!

Ooh, baby, don't you know I suffer?
Ooh, baby, can't you hear me moan?
You caught me under false pretenses
How long before you let me go?
...


Quase 11 da noite ainda. Estavam tocando Supermassive Black Hole e apesar de todos já estarem bastante enjoados de ouvir aquela música nos seus Ipods, estavam curtindo ouvi-la na festa.


- Vocês não sabem quem eu acabo de ver estacionando o carro aqui na frente! – Rayana chegou para as meninas, que conversavam.
- O Homem-Aranha! – Soph apontou pra ela sorrindo idiotamente, Ray negou com o mesmo sorriso.
- Não vai arriscar um palpite, Mel?
- Hum? – ela olhou pra Ray despertando de um transe, havia acabado de receber uma mensagem de Chay no celular dizendo que queria dançar com ela hoje porque ela estava reluzente como uma Ferrari Califórnia e notável como um Boeing 737. Aquelas comparações fizeram Melanie soltar risinhos bestas enquanto lia, Rayana rolou os olhos com a lerdeza da irmã e voltou a falar.
- Kyle!
- Que Kyle? – Lu perguntou.
- Dickherber. – ela respondeu e Melanie simplesmente deixou seu celular cair no chão.
- Quem é esse? – Sophia olhou pra Lua, que respondeu baixinho pra Melanie não perceber.
- Deve ser de alguma dessas bandas que a Mel gosta e está viciando a gente.
- Eu não viciei ninguém, vocês estão ouvindo porque gostaram! – Mel se recuperou do choque inicial e se abaixou pra pegar o celular – E o Kyle do Click simplesmente NÃO PODE ESTAR AQUI! VOCÊ TA MENTINDO!
- É PANGARÉ! É verdade, olha ali! – Ray saiu da frente e ficou de lado, Mel pôde ver a porta, por onde seu querido Kyle passava.
- M-m-mas o que ele ta fazendo aqui? Quem chamou e por que ele ta sozinho?
- Por que você não vai perguntar isso pra ele? – Sophia deu de ombros e Melanie engoliu seco, tomando coragem.

- Fala seu emo! Cadê o resto dos viadinhos? – Micael se aproximava dele.
- Estão chegando, cara! Mas e aí, cadê o Mcfruta aniversariante? Quero dar um abraço naquela bicha!

Mel se aproximava sem acreditar, não pensava em algum dia estar na mesma festa que um integrante do The Click Five. As amigas iam atrás dela, pra encorajá-la e zoar dela depois. Elas se aproximaram quando Pedro o cumprimentava.
- Meninas! Esse é o Kyle!
- A gente sabe, Chay! – Rayana sorriu – O que a gente não sabia era que vocês conheciam os Clicks!
- Nos conhecemos num torneio de bandas. – Chay explicou e viu que Melanie não tirou os olhos de cima dele. Isso o incomodou.
‘Como ele é lindo pessoalmente, e tão simpático!’ Melanie pensava enquanto observava Kyle cumprimentando suas amigas com beijinhos nas bochechas. Quando chegou a vez dela, ela simplesmente o agarrou num abraço.
- Caralho, eu sou fã de vocês! Adoro as músicas! Me dá um autógrafo, Kyle, please!
- Claro! Onde tem caneta?
- OMG! Eu não sei, mas a gente TEM que arranjar! – e o puxou pela mão. Os dois foram em direção à biblioteca e sumiram. Chay ficou com as mãos nos bolsos da calça e olhando pra baixo, todo mundo reparou. As meninas se dispersaram, Arthur deu seu drink pra que ele deu um gole e saiu de perto, Pedro e Micael bateram nos ombros dele e saíram também.
‘Vai tomar no cu! Eu mando uma mensagem toda bonitinha pra depois ela nem olhar pra mim?!’ Ele pensava, ainda olhando pro chão.

It's these substandard motels
On the, lalalala, corner of 4th and Freemont Street
Appealing, only because they are just that un-appealing
Any practiced catholic would cross themselves upon entering
The rooms have a hint of asbestos
And maybe just a dash of formaldehyde
And the habit of decomposing right before your very, lalalala, eyes
Along with the people inside

Oh, What a wonderful caricature of intimacy
Inside, What a wonderful caricature of intimacy...


Uns 40 minutos passaram voando. Panic At The Disco animava a festa agora com aquela música legalzinha de nome comprido. Lua foi se aproximando do equipamento de som, assim como quem não quer nada e trocou a música, fazendo os casais se ajuntarem.

Rayana se aproximou de Lu.
- Pensei que você não gostasse de ouvir McFLY num simples rádio, como uma simples fã!
- Pois eu retiro o que disse! Eu acho que sou mesmo uma simples fã deles... – ela sorriu observando Micael girar Sophia e depois concluiu – Eles são adoráveis e únicos!
Rayana também sorriu e avistou Pedro.
- Vou aproveitar a música pra dançar com Pedro!
- Ok! – Lua piscou e depois que Rayana se afastou, viu pela janela que Arthur estava do lado de fora da casa. A mesma chuva fraca ainda caía, molhando as roupas e os cabelos do garoto aos poucos. Lua não pensou duas vezes pra pegar o guarda-chuva vermelho que ela havia encostado num canto na entrada e ir até lá.
- Por que está aqui tomando chuva? - Arthur ouviu a voz de Lu perguntando alguma coisa atrás dele e um guarda-chuva parando sobre sua cabeça.
- Essa música me dá vontade de sair na chuva! - ele se virou pra ela e deu de ombros. Lua gargalhou com a resposta estranha.
- Hum... Então se você acordar resfriado amanhã a culpa é minha, fui eu que coloquei a música!
- Desde quando você gosta de ouvir McFLY?!
- Ah, pára de chatice Arthur! Eu tenho total consciência que vocês compõem as letras mais lindas do mundo! Já virei fã!
- Não sabia que tinha uma fã tão hot! Quer dançar?
- Yep!
Os dois se aproximaram ali mesmo no quintal e começaram a dançar lentamente, como se não quisessem que aquele momento acabasse.


Some people fight
Some people fall
Others pretend
They don't care at all

If you want to fight
I’ll stand right beside you


Lua estava de olhos fechados e com o queixo apoiado no ombro dele, foi impossível não lembrar daquele dia na festa de despedida dele. Arthur envolvia a cintura dela com os braços e pensava a mesma coisa.
- Eu lembro daquele dia – ele falou de repente no ouvido dela.
- E eu acho que as nossas cabeças estão tão próximas que você leu meu pensamento! – ela afastou um pouco a cabeça do ombro dele, pra poder olhá-lo.
- Você sabia que eu ia lembrar, e que eu não tava bêbado?
- Melanie contou pra mim.
- Ah, aquela fofoqueira! – ele se fez de bravo.
- Entendi a sua atitude... Foi infantil, mas entendi. – ela passou a mão que estava livre pelo rosto dele, tirando uma mecha de cabelo molhado. Com a outra mão segurava a sombrinha.
- Eu não queria sentir algo forte por você e depois ter que me afastar, ficar te vendo só em finais de semana e passar os outros dias com o coração na mão, só imaginando o que você poderia estar fazendo... Só que não adiantou de nada porque eu já sentia muita coisa por você, sempre senti! – falando isso ele pegou a mão dela, que passava por sua bochecha e deu um beijo, depois aproximou mais o rosto e lhe deu um beijo na testa, outro na ponta do nariz, e enquanto isso ela sorria. Depois ele a beijou no canto da boca e ela começou a dar selinhos nele. O beijo ganhou força quando ele passou a língua pelo lábio inferior de Lua, mais uma vez provando o gosto do protetor labial de morango que ela tinha acabado de passar, o mesmo que ela usava no dia daquela festa há alguns anos. Aos poucos ela foi relaxando com a mão que segurava a sombrinha, deixando que a chuva a molhasse também.


I know you believe me
When you look into my eyes
Because the heart never lies

'cause the heart never liiiies yeah
Because the heart never lies

Melanie estava com um copo de vodka na mão e foi se aproximando da janela. Não pôde deixar de reparar num 'ponto vermelho' no meio do quintal, era o guarda-chuva de Lua, que nesse momento não estava guardando-a de chuva nenhuma. 'Isso aí! Tem mais é que beijar na chuva mesmo!' Melanie pensou e ficou feliz porque aqueles dois deram trabalho pra se acertar.
Plain White T’s começou a tocar na seqüência e Mel não conteve um sorrisinho. Era a música que a fazia lembrar do Chay... O quintal estava lindo, todo decorado com várias luzes penduradas nas árvores e ela se pôs a contemplar o próprio trabalho enquanto um vento fresco brincava com seus cabelos.

'Impressão minha ou o Chay ta parecendo distante? Depois do SMS ele não falou mais comigo, não olhou pra mim e me deixou aqui sozinha! Quer dizer... Não é como se eu estivesse louca pra dançar com ele, mas... Ahh, puta que o pariu Melanie! Você ESTÁ louca pra dançar com ele!'
Os pensamentos dela foram interrompidos quando sentiu uma mão tocar levemente seu ombro esquerdo e quando se virou, deu de cara com Chay.
- Sozinha? E o Kyle?
- Ah, sei lá Chay. Ele me deu meu autógrafo, tiramos uma foto e ele foi curtir a festa! Por que a pergunta? – ela deu de ombros se controlando pra não rir.
- Ahn, nada não, achei que você estaria com ele, mas... Quer dançar? – ele estendeu a mão pra ela, que sorriu e segurou a mão dele. ‘Fato, Chay ficou com ciúmes e isso é fodástico demais, véio!’ ela pensava com um sorrisinho enquanto ia sendo conduzida por ele pro meio dos outros casais que dançavam juntinhos.


There's only one way
To say
Those three words
That's what I'll do
I love you

Give me more love from the very start
Peace me back together when I fall apart
Tell me things you never even tell your closest friends...


‘Que perfume bom...’ Melanie cheirava o pescoço de Chay e isso estava causando nele uma série de arrepios.
- Está gostando da festa? – falou ao pé do ouvido dela e foi a vez de Mel se arrepiar.
- Uhum, ficou tudo incrível!
- E você também ta incrível, Mel! – ela sorriu e fechou os olhos, Chay estava tão próximo dela nos últimos dias que parecia até sonho.
- Sabia que essa música me faz lembrar você? – ela falou e pôs o rosto em frente ao dele.
- Por quê? – ele deu um sorrisinho e apertou mais os braços em volta da cintura dela.
Melanie se aproximou da orelha dele e sussurrou pedaços da música – I'm so glad I found you I love being around you. – ao terminar de cantar, deu uma leve mordida na orelha e Chay começou a beijar seu pescoço. Melanie simplesmente pirou com aqueles lábios quentinhos e macios tocando sua pele com carinho. Depois ela encostou seu nariz no dele, e já de olhos fechados voltou a cantar baixinho outras frases da música - There's only one way to say those three words... – ele também fechou os olhos balançando a cabeça junto com ela, deixando os corpos irem no ritmo gostoso daquela música pra lá e pra cá lentamente. Depois colou seus lábios nos dela. Intensificaram o beijo logo em seguida e toda a fauna da floresta amazônica fazia a festa no estômago dos dois!

...
There's only one thing,
To do, 3 words,
For you.
I-love-you (I love you)
There's only one way,
To say those three words
That's what I'll do.
I love you (I love you)


- Arthur... Acho ótimo você tratar bem as suas fãs, mas espero que você não seja tão 'simpático' assim com todas elas! – Lua falou com a testa encostada na testa de Arthur, que apenas sorriu e se aproximou da orelha dela.
- O tratamento especial é só para a fã número 1! – ele sussurrou e ela sorriu.
- Olha, parou de chover... - ela se deu conta de repente olhando pro céu, que já estava limpo como num passe de mágica.
- Melhor a gente entrar, ta ventando um pouco e você pode pegar uma gripe com essas roupas molhadas! - os dois sorriram e começaram a caminhar abraçados em direção à entrada da casa.

Os casais estavam inspirados essa noite... Pedro, Rayana, Micael e Sophia estavam sentados no sofá e riam muito porque Micael tentava abocanhar um copo plástico. Pedro estava mais do que feliz, ria feito criança que ganhou ovo de páscoa de 7kg... Mas seu sorriso foi ficando menor quando ele começou a observar uma pessoa de casaco e capuz preto passando pela sala. Achou melhor mostrar pra Micael e o cutucou.
- Que foi. – Micael perguntou baixinho e Pedro apontou para a pessoa com a cabeça. Micael lançou seu olhar e a avistou, estava indo direto para a biblioteca.
- Parece uma mulher, mas não deu pra ver o rosto direito... Vamos ver onde ela vai! – Micael levantou e puxou Pedro com ele. As duas meninas se olharam preocupadas, também tinham visto a ‘criatura’ de capuz e não gostaram nada, nada. Pedro e Micael se puseram a perseguir a tal pessoa de capuz preto e esta já havia percebido. Tentava despistá-los dando voltas pela casa, mas eles sempre a encontravam de novo.
- Olha, ela subiu a escada...
- Como sabe que é ela, Micael? Ta tudo coberto!
- Ah, tanto faz cara... Mas eu acho que é mulher!
- Bom... Parece mesmo e é bem estranha. Mas e aí, vamos continuar vigiando?
- Com certeza! Pode ser alguma ladra! – os dois começaram a subir a escada e a suposta ladra já estava terminando de subir. Quando chegaram ao corredor dos quartos, conseguiram ver um vulto entrando no último quarto. Pedro se lembrou que é ali que fica a passagem secreta em baixo da cama e começou a acelerar o passo com medo que a pessoa entrasse lá e eles a perdessem de vista, Micael ficou pra trás.
O quarto estava silencioso e Pedro entrou mais silencioso ainda. Até que ouviu um ‘tooc’ e correu pra olhar em baixo da cama. Ele pegou a lanterna, que estava lá, do jeito que ele tinha deixado e foi abrindo aquela pequena passagem com cuidado... Jogou o raio de luz da lanterna lá dentro e viu uma mulher abaixada com uma mochila aberta no chão, ela já não tinha mais o capuz e revelava seus cabelos descoloridos. Ela olhou pra cima com uma cara assustada, levantou rápido, deixou cair uns maços de dinheiro que segurava nas duas mãos e saiu correndo pelo túnel subterrâneo. Pedro desceu a escadinha de madeira bem rápido, como ele nunca tinha descido antes. Havia reconhecido aquele rosto. Aqueles olhos extremamente azuis e assustados, com algumas olheiras a mais, mas era ela. Era Rose, a vizinha do Micael, mulher do falecido Dean, principal suspeita pelo assassinato e estava ali na frente dele! Havia um cofre atrás daquele quadro que ele e Rayana observaram, mas nem pensaram que pudesse ter um cofre ali, apesar de ser uma coisa extremamente clichê. Rose correu por todo o corredor com Pedro na sua cola, quando viu que ele já estava para alcançá-la, tirou um revólver de dentro de um dos bolsos internos do casaco e se virou bruscamente pra trás apontando pra Pedro, que parou de correr imediatamente e levantou os braços.
- Não se atreva a continuar correndo atrás de mim, porra! O que você quer?
- Calma... Calma Rose! Não atira em mim, por favor!
- Droga... Se pelo menos tivesse uma corda nesse lugar! – ela falava para si mesma enquanto mexia nos cabelos com a mão que estava livre.
- Eu volto! Eu volto pra lá e não conto pra ninguém que te vi!
- Cala a boca! Viadinho dos infernos... Vou ter que te levar comigo agora. Anda, vem! – ela o puxou pelo braço e começou a andar com o revólver apontado na cabeça dele.

- MICAEL! – Sophia e Rayana chegaram até Micael, que descia as escadas com cara de assustado.
- Micael... Cadê o Pedro? – Ray perguntou pausadamente, ficando assustada com a cara nada boa do amigo.
- Ele foi atrás daquela pessoa de capuz no quarto, mas quando cheguei lá, não vi nenhum dos dois! Eles simplesmente sumiram! – Micael explicava confuso e com o olhar perdido. Rayana teve um ‘click’ e começou a descer as escadas correndo. Sophia e Micael não sabiam pra onde ela estava indo, mas a seguiram. Ray foi até a biblioteca e ficou de pé num cantinho observando o chão.
- Que foi Ray? – perguntou Soph parando ao lado dela.
- O que tem aí? Por que ta olhando pro chão? – Micael chegando do outro lado dela.
- Shhh, quietos! O Pedro pode sair por aqui!
Micael caiu na risada, com a correria pra preparar a festa, ninguém contou a ele ou a Sophia o episódio da passagem secreta – Ele vai sair do chão? O que você be... – ele mesmo se interrompeu quando viu um quadradinho começar a se abrir no chão. Os três foram dando passos pra trás e quando começaram a ver as duas cabeças que emergiam, ficaram pasmos.
- R-Ro-Rose! – Micael gaguejou morrendo de medo ao vê-la armada. Sophia e Rayana só sabiam tampar a boca com as mãos e esbugalhar os olhos.
- Saiam da frente senão ele morre. – ela falou com sua voz firme e imponente.
- PEDRO! – Rayana começava a sentir a visão totalmente embaçada pelas lágrimas e Sophia a segurou porque parecia que ela queria avançar em cima dos dois pra soltar o Pedro.
- Calma Rayana... E-e-eu amo você! – ele falou com a voz trêmula, era o primeiro e talvez último "amo você".
- Ray, se afasta! – Soph puxou Rayana pra longe da mulher e ela custava a sair, parecia que estava com os pés colados, não queria abandonar Pedro. Micael ajudou Sophia a segurar Ray quando a mulher passou por eles. A música parou quando os dois chegaram na sala.
- NINGUÉM SE MEXE! – a mulher apontou a arma para todos ao seu redor e voltou a encostá-la na cabeça de Pedro em seguida.
- Putafodeu! – Chay estava mais distante assistindo a cena com Mel, Lu e Arthur, que pegou o celular pra chamar a polícia.
- Olha Rose, se você me deixar aqui e ir embora ninguém vai chamar a polícia, a gente sabe que você não matou o Dean, v-vo-você não seria capaz de uma coisa dessas! – Pedro tentava conversar com ela e falava com dificuldade, pois ela apertava forte seu pescoço com o braço. Os dois continuavam parados no meio da sala, cercados de convidados estáticos.
- É Rose... Não chamaremos a polícia, até porque nós invadimos a sua casa, nós é que seriamos presos, todos nós! – Micael se pronunciou num cantinho da sala.
- É, invadiram a minha casa, seus demônios! Eu devia acabar com todos vocês, que nem eu fiz com Dean – ela sorriu, parecia meio fora de si.
- Não, pelo amor de Deus, solta ele moça! – Lua também falou vendo que a situação ficava cada vez mais séria, ela não sabia se estava tremendo de medo ou de frio por causa das roupas ainda um pouco úmidas grudadas no corpo.
- Quem é você? Nem te conheço garota! Aah... Deve ser mais uma das periguetes que davam em cima do Dean! Eu tenho raiva de todas vocês, garotas bonitas e fáceis que faziam o Dean me trair e chegar tarde em casa! Sabe... Teve um dia que ele chegou cinco horas da manhã. Nem entrou no quarto, se jogou aqui nesse sofá e quando eu acordei às oito, o chamei... Discutimos muito naquele dia e ele me pediu o divórcio. – Rose contava e seu olhar vagava pela sala – Ele tava sempre com aquele sorriso besta estampado, devia se achar perfeito... E ele era mesmo, com seu rostinho bonito, olhos azuis, cabelo bem cuidado e um corpo cuidadosamente esculpido na academia. E de que valeu tudo isso, me diz? Isso tudo nem existe mais, agora que ele foi pra debaixo da terra – ao falar tudo isso começou a soltar um sorrisinho cínico de canto de boca, estava gostando de ser o show da noite.
- Você também é linda Rose, seus olhos são tão azuis quanto eram os de Dean e o seu corpo e rosto também são perfeitos! Não estrague a sua vida! – Pedro continuava tentando acalmá-la, sem sucesso.
- Fica quieto aí! – ela deu uma batidinha com o revólver na cabeça dele que fez Ray soltar um soluço alto e Sophia a abraçou.
- O que essa mulher cheirou? – Arthur se perguntava em voz baixa.
- Hey! Espera aí... Você aí chorando feito louca, como é seu nome?
- O-o-o m-meu nome?
- NÃO, O MEU! FALA LOGO!
- Rayana! – ela disse mais do que depressa, com os olhos esbugalhados.
- Hm... Sabia que eu tava te reconhecendo sua PUTINHA!
- Han?!
- Não adianta fazer essa carinha de desentendida não! O Dean tinha uma pasta no notebook dele que chamava 'Rayana' e dentro várias fotos suas! 'Rayana001.jpg', 'Rayana002.jpg'...
Várias pessoas ficaram passadas ao ouvir isso, inclusive a própria Rayana e principalmente Pedro, que olhava pra ela incrédulo.
- Mas... Mas... A gente mal se conheceu! – Ray falou quase num sussurro, mas a sala estava em total silêncio.
- Então vai admitir assim na frente de todo mundo que o conheceu mesmo?! Foi mais fácil do que eu pensava!
- Não! A gente se viu algumas vezes no p-pa-parque, mas eu não sabia nada da vida dele, EU JURO!
- Não é o que as fotos dizem, vocês pareciam muito próximos! Principalmente na foto Rayana022.jpg! Sabe qual é essa?
- Não. Eu nem sabia que ele tirava tantas fotos minhas se você quer saber! Eu achava que ele segurava o celular às vezes pra sei lá... ver as horas!
- Quanta ingenuidade, tsc tsc tsc... De qualquer jeito eu vou refrescar sua memória! A 22 é a foto do BEIJO de vocês!
Ray sentiu como uma facada na boca do estômago aquele olhar de desprezo que Pedro lançou pra ela na hora que ouviu isso.
- FOI SÓ UMA VEZ, TA LEGAL! – ela agora berrava como se quisesse desesperadamente fazer com que Pedro parasse de olhá-la daquele jeito – E não passou disso!
- Foi você que acabou com meu casamento! De fato, o Dean saiu com várias vaquinhas, mas por você ele se apaixonou, sabia?!
- VOCÊ NÃO TEM COMO PROVAR O QUE ESTÁ DIZENDO! POR ACASO ELE FOI LÁ DO NADA E CONTOU QUE ME AMAVA?
- FOI E POR ISSO EU ATIREI NELE!
Nessa hora o silêncio reinou e só se ouvia os 'óóóhs' das pessoas admiradas, além das respirações alteradas das duas.
- Ele disse... 'Agora é sério, Rose. Precisamos nos divorciar porque eu amo outra pessoa' – Rose começou a contar com o olhar perdido em algum canto da sala – Aí eu perguntei 'A menina daquelas fotos no seu celular. Por que eu não to surpresa?!' ele fez uma cara de piedade e veio me abraçar, eu subi as escadas e me tranquei no primeiro quarto que vi. Ele esmurrou a porta algumas vezes, falou que eu estava sendo infantil. Começamos a gritar um com o outro, eu dentro do quarto e ele fora. Até que ele parou de gritar e eu me sentei no chão, eu estava muito nervosa e chorava desesperada com a possibilidade do meu marido ir embora de casa. Sabe, no começo a gente tinha um casamento feliz! – Rose agora fez uma pausa pra fungar, pois estava chorando também – Comecei a ouvir uns barulhos de movimentação dele no quarto do lado, portas batendo e logo adivinhei que eram as portas do guarda-roupas. Ele estava fazendo as malas. Suspirei e olhei pra cima, focalizei minha visão numa caixa de sapato que estava no topo de uma estante daquele quarto. Peguei a caixa e ali estava minha arma! Havia comprado há pouco menos de dois meses... Ouvi passos apressados do Dean pelo corredor, e depois descendo as escadas. Quando ele estava perto da porta da rua, eu cheguei no topo da escada e foi um tiro certeiro! BAANG! Exatamente na nuca do infeliz. Ele ficou lá estirado, enquanto eu tratei de fazer minhas malas e pegar um dinheiro no nosso cofre. Na verdade todo o nosso dinheiro era só MEU. Cada vez mais eu tinha certeza que ele se casou comigo por isso.
Todo mundo prestava atenção no depoimento dela agora. Rayana reuniu toda calma que tinha e começou a falar tranqüilamente.
- Rose, é a última vez que eu vou te pedir! Você já matou uma pessoa e tenho certeza que você não se agradou de ter feito! Então não faça isso de novo, aproveita a chance que você tem pra fugir daqui com todo seu dinheiro e começar uma vida nova em outro lugar!
- Sei... Pensa que eu não saquei que é desse bonitinho aqui que você gosta? Quero que você sinta o mesmo que eu senti vendo o homem que eu mais amei indo embora! Pode começar a se despedir do seu branquelo!
- NÃO, POR FAVOR! – Ray sentiu uma fraqueza nas pernas e quando foi ver, estava ajoelhada – OLHA, VOCÊ PODE ME LEVAR CONTIGO!
O pessoal estava tenso, a maioria ali nunca tinha visto alguém implorar pela vida de outra pessoa sem ser num filme. De repente, todos começaram a ouvir o som das sirenes. A polícia chegou realmente rápido! Rose esbugalhou os olhos e permaneceu estática por um tempo, todos olhavam pra ela. Quando ouviram o som de portas de carro batendo, ela reagiu e começou a caminhar com Pedro para o hall. Vários policiais entraram na casa apontando armas pra ela, que apenas ria e começou a subir as escadas com seu refém.
- Não se atrevam a me seguir que eu atiro nele! – ela gritava no meio da escada e Pedro pedia com o olhar desesperado que os policiais fizessem tudo que ela queria. Quando ela terminou de subir as escadas e saiu da visão deles, alguns policiais começaram a subir com cuidado. Rose ia correndo pelo corredor e puxando Pedro pelo pescoço, ele já não agüentava mais aquele braço grudado no pescoço fazendo pressão, causando atrito, não via a hora de sair daquele pesadelo e amaldiçoou mentalmente a hora que começou a correr atrás dela. Ela abriu uma pequena porta e lá dentro havia uma escada para o sótão, mandou Pedro subir e fechou a porta atrás de si. Dois policiais que viram do começo do corredor se comunicaram com os que estavam na sala e avisaram que ela o levou para o sótão e que pelo jeito sairiam no telhado. E não deu outra, dentro do sótão estava uma escadinha apontada para uma janela. Rose mandou Pedro subir, abrir o vidro e sair. Assim ele fez e logo os dois estavam no telhado. Todo mundo correu pro lado de fora da casa ao verem que os policiais todos estavam indo pra lá.
- OMG! – Rayana tampou os olhos ao ver Pedro sendo segurado pela mulher na beira do telhado, à essa altura as quatro meninas amigas do garoto choravam e gritavam.
- É tudo culpa mi-nha! Eu que tive a i-dé-ia da festa ser aqui! Eu que me envolvi c-com a porcaria d-do marido de-la! – Ray falava entre soluços e tampou com as mãos o rosto cansado de ser molhado por lágrimas misturadas com maquiagem. Lua a abraçou, Arthur beijou o topo de sua cabeça e Mel retirou as duas mãos dela da frente do rosto para segurá-las.
- Você não tem culpa de nada, ouviu! Quem está causando a situação é apenas a maluca! Foi ela quem matou o próprio marido! – Melanie falou segurando as mãos da irmã firmemente, mas também tinha lágrimas pelo rosto.
- Solta o menino Rose e nada vai te acontecer – um policial falava no alto-falante.
- QUER MESMO QUE EU O SOLTE?! – ela gritou irônica entre risadinhas forçando Pedro um pouco pra frente e provocando susto geral em quem assistia lá em baixo.
- Chame o nosso melhor atirador de elite. – o policial que antes falava no alto-falante, agora se virou pro outro, que concordou.
Uma hora se passou com a mesma enrolação, Rose dizendo que não queria ser presa e preferia a morte, então se jogaria com Pedro. Policiais tentando negociar com ela, imprensa começando a aparecer e lotar o local... Os pais de Pedro também foram avisados e chegaram lá desesperados. Já estavam todos cansados por permanecer em pé e ainda naquela tensão. Pedro então, nem se fala. Mais duas horas de negociações se passaram e o cansaço só triplicou! Aquele pesadelo parecia não ter fim. Tentaram de tudo, disseram a ela que teria um bom advogado, que sua pena por matar o marido seria reduzida se confessasse e entregasse o garoto... Às vezes parecia que ela estava cedendo, mas logo voltava a ficar desesperada pra se jogar e acabar com tudo. Os policiais viram que aquilo não ia resultar em nada e que poderiam passar dias ali se não agissem logo.
- Rapaz, quem mora nessa casa? – o chefe da polícia abordou Micael e apontou para a casa em frente.
- E-e-eu. – respondeu gaguejando pelo alto nível de stress.
- Preciso de sua autorização para meus atiradores entrarem nela. Assine aqui, por favor, se você autoriza a ação na sua casa – entregou uma prancheta a Micael.
- Claro... – ele assinou e antes de devolver olhou nos olhos do policial – Acabem logo com isso e salvem a vida do meu amigo. – o policial apenas concordou com a cabeça e acenou para que seus homens fossem até a casa de Micael. Sophia o abraçou e ele beijou sua testa.
Outros policiais distraiam Rose pra ela continuar lá em cima e sem perceber que estavam invadindo a casa da frente. Os atiradores que entraram na casa de Micael subiram até o sótão e o melhor deles, o mais experiente e bem preparado da equipe, saiu também por uma janelinha semelhante a que Pedro saiu na outra casa. Ficou escondido ali no telhado e posicionou a mira em Rose. Era preciso muita concentração, a cabeça de Pedro estava muito próxima da dela. Ele mirou bem e quando todos menos esperavam, Rose foi atingida no meio da testa! Por uma fração de segundo ela ainda continuou em pé e com os olhos abertos, seu corpo cambaleava pra trás e pra frente. Aquele tempo foi uma eternidade pra Pedro, que pôde ver o minúsculo furo na testa dela e uma ‘lágrima’ de sangue escorrer por ele. Rose caiu, mas como ainda segurava Pedro pelo pescoço, ele foi junto. Todos soltaram gritos desesperados quando o corpo de Rose se espatifou no chão feito um saco de batatas. Por sorte, Pedro conseguiu se segurar no último momento na borda do telhado, mas as mãos dele não iam agüentar aquilo por muito tempo. Até porque, estava tudo meio úmido pela chuva de mais cedo. A mãe dele chorava sem parar e policiais entraram correndo na casa. ‘Ai, eu não vou agüentar, não to agüentando, parece que minhas mãos vão descolar do braço!’ Pedro pensava de olhos cerrados, desejando que chegasse logo alguém pra tirá-lo. Segundos depois, dois policiais chegaram e cada um segurou um braço de Pedro, ele finalmente respirou aliviado.
Quando ele saiu pela porta da frente, foi logo abraçado pelos pais. Sua mãe lhe enchia de beijinhos pela cabeça e depois pegou as mãos dele, fez uma cara de dó ao ver como estavam vermelhinhas, coisas de mãe!
 - Mãe, calma! Eu to... eu to legal, já acabou – ele sorria pra tranqüilizar a mãe. Olhou mais à frente e viu uma menina de cabelos castanhos que sorria e chorava ao mesmo tempo. Viu também seus amigos um pouco atrás dela. Começou a caminhar na direção deles e Ray tinha esperanças que ele não tivesse ficado chateado com tudo que Rose disse, ela esperava poder abraçar Pedro bem forte e calar toda aquela agonia que ainda estava sentindo só pela possibilidade de perdê-lo. Mas não foi assim. Pedro passou por ela sem nem olhar seu rosto. Ela abaixou a cabeça, Melanie estava ao seu lado e a abraçou enquanto Pedro sumia no meio de um abraço com os amigos.

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