quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Diário de uma anoréxica - Capítulo 1 – O início


Acordei um tanto histérica naquele dia. Sophia, minha melhor amiga chegaria de viajem naquela manhã, tinhamos muita coisa pra conversar e... eu realmente precisava conversar. Arrumei a casa de qualquer jeito, e vesti a primeira roupa que vi pela frente. Soph chegaria as 8:00 e já eram 7:40, não daria tempo de tomar café. Bem, eu não ia tomar de qualquer jeito mesmo...

No caminho para o nosso ponto de encontro (shopping, é claro!) encontrei Arthur, meu amigo e minha paixão secreta. Conheço ele desde pequena, quando me mudei pra cá. Nós crescemos juntos, aprontando juntos, estudando juntos... perdi a conta de quantas vezes ele me defendia de brigas, na rua... ele é como o irmão que eu nunca tive, e alem disso, ele tinha o sorriso mais perfeito de todos. Eu caminhava um pouco apressada, quando ele chegou por trás e tampou meus olhos (ele sempre fazia isso) eu imediatamente reconheci

- Arthur – disse numa voz desanimada.

- Drooga! Poxa vida, por que você sempre acerta? – ele perguntou com sua cara mais indignada

- Huum, vejamos... talvez porque você seja o único que faz isso sempre que me vê

- Carambaaa, é mesmo! Preciso mudar minhas táticas – ele disse fazendo uma carinha maldosa me fazendo rir quase que estantâneamente – Ok, ok... eu sei que eu sou demais. Diz ai, pra onde tava indo?

- Corrigindo. Estou. Vou buscar a Soph!

- Caramba, ela chega hoje? – ele disse fazendo uma cara meio surpresa

- É. Porque?

- Nada, xau! – Arthur disse me dando um beijo na bochecha e saindo rapidamente e me deixando sem entender nada.

Quando cheguei em frente ao shoppnig, vi uma mala no banco, que escondia um ser que parecia ser a Sophia. Quando me aproximei, vi ela meio aérea

- Soooph???

- Amiiigaaaaaa!!!! - ela disse me abraçando de repende,e quase me derrubando – que saudaaaadeee!!!

- Eu tambem estou morrendo de saudade – disse rindo da cara de algumas pessoas que passavam por nós sem entender nada

- Amiga... – ela disse de repente, interrompendo nosso abraço e me fazendo a ficar cara a cara com ela, que tentava fazer uma expressão misteriosa – tenho taaaanta coisa pra te contar! Vamos tomar fazer um lanche?

- Tá bom... – eu disse tentando gostar da idéia

Depois de um longo papo, sobre toda a viagem da Soph, ela finalmente parou de falar e me olhou durante um tempo

- E vc? Como passou essa semana? – ela disse me olhando séria

- Ah, tudo normal. – eu disse encarando o prato quase intacto na minha frente

- E voce e o Rafa?

- Terminamos... – eu disse da forma mais natural possível

- Oh my goood!!!! O que aconteceu? Eu quero detalhes!!! – ela fez uma cara muito assuatda

- Nada demais, só não tava mais dando certo, e terminamos, só isso – eu disse indiferente

- Lua! Você não vai me matar de curiosidade me conta! – ela disse indignada

- Ah, Soph! É uma longa história, te conto no caminho. Vamos acertar a conta – eu disse me levantando

- Mas você nem comeu... – Sophia olhou sugestivamente para o meu prato

- Tô sem fome! – disse com meu melhor sorriso

No táxi



- E foi isso...

- Caaraaamba, amiga. Poxa você passou por tudo isso sozinha, porque não me ligou?

- A Soph você tava viajando não queria te atrapalhar. Mas não vou ficar chorando por qualquer coisa, você sabe que isso não faz meu estilo. Amanhã mesmo eu vou conversar com o carinha lá da agencia e vou voltar a modelar! – disse tentando me auto-animar

-Juuuuraaaaa???????? – Soph gritou me abraçando

- É, mas calma tá, eu quero chegar viva – eu disse rindo da situação

- Ok, desculpa, só tava querendo ajudar – ela disse, improvisando uma carinha ofendida e me arrancando risadas

Já na minha casa, passamos horas discutindo sobre nossos planos para o início do ano, quando nos demos conta já era noite

- Nossa! Já escureceu

- Pois é, o tempo voou. Dorme aqui?

- Será que a sua mãe vai deixar? – ela disse pensativa

- Soph, você não conhece minha mãe? Ela vai aaaamaaar, até por que ela vive dizendo que eu preciso de amiiigas, e toda aquela baboseira

- Ok, se é pelo bem da humanidade – ela disse rindo – maas, tem alguma coisa pra comer?

- Vo fazer lasanha pra você! - disse indo em direção a cozinha

- Mas você não disse que tinha virado vegetariana?

- E eu sou! A lasanha é pra você! – eu disse numa cara óbvia – tô sem fome

- Lu, mas você não comeu nada a tarde toda – ela parou por uns instantes meio pensativa- Não vai me dizer que você já começou de novo com aquela história de dieta? – ela me encarou séria – Lu você sabe que isso é muito sério! Lembra que você ficou sem comer o dia todo e...

Eu a interrompi

- Ok Soph! Tá bom! Eu me lembro perfeitamente do que aconteceu!

- E porque continua fazendo?

- Eu não tô fazendo nada! Eu só não quero comer, tô sem fome! Mas tudo bem, já que você insiste – eu disse pegando uma maçã – pronto! Tô comendo!

- É bom mesmo. Lu e você sabe que estou falando isso pro seu bem! Amiga, você lembra de todo o desespero da sua mãe? Você é a gúria mais magra que eu conheço, e vive de dieta! Isso é sério Lu!

-Tá bom Soph, vou me cuidar... Agora come ai. Vou vê se eu acho um filme pra gente assistir

- Comédia, por favor... – Soph, fez uma carinha manhosa, juntando as mãos como uma criança pedindo brinquedo

- Ok, já volto – eu disse rindo e subindo as escadas pra buscar o filme



Quando procurava por um filme na enorme estante, me distrai olhando uma caixinha, confeccionada por mim e pelo Arthur. Dentro havia algumas fotos, e um mapa que segundo nossa imaginação, levaria ao paraíso do chocolate. Olhando todas aquelas recordaçoes da minha feliz infância, senti um enorme aperto no peito. E por dois motivos... o primeiro, por aquele sonho... era tão bom sonhar em encontrar um paraíso do chocolate.E o segundo, por amar aquele menino, ve-lo todos os dias com aquele sorriso encantador e guardar isso pra mim. Resumindo, eu era uma fraca e isso fazia meu coração doer, e uma lágrima boba molhar meu rosto. Acho que fiquei tempo demais pensando naquilo, pois quando me dei conta Sophia estava batendo na porta. Tomei um susto, e enchugando as lágrimas rapidamente, joguei aquela caixinha em algum lugar e peguei os filmes em seguida

- Tudo bem?

- Ah, tudo sim! – eu disse disfarçamdo – Terminou?

- Claro né, eu ainda fiquei um tempão te esperando lá embaixo

- Desculpinha amiga, eu me destrai um pouco! Olha, eu achei esses aqui, qual você prefere? – disse apontando para uma alguns Dvd’s jogados na cama

- Huum... – Soph me olhou sugestivamente – Eu sugiro uma delicada apuração de todas as histórias, para que possamos colocar em prática nosso espirito burocrático, e exercemos nosso direito como cidadãs com o poder do voto! – ela disse, me fazendo rir alto

- Tudo isso pra pedir uma eleição... tudo bem ,Let’s Gooo!



Passamos longas horas assisitndo filmes, conversando, brincando... e por mais que eu amasse aquilo, uma coisa me encomodava muito, vinha a minha cabeça a cada 5 minutos, mas eu me recusava a prestar atenção

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